Casa Encosta, Seixas

A proposta de intervenção para o local teve como ponto de partida a preocupação em tentar perceber a morfologia do terreno, os acessos e desníveis de acesso ao mesmo, a frente construtiva do lote de intervenção e ainda uma atenção especial com as construções envolventes, tendo sempre em linha de conta uma preocupação constante em propor uma intervenção que seja implantada numa cota de nível o mais baixa possível de forma a poder enquadrar a casa de possíveis subidas volumétricas em relação às construções vizinhas, evitando qualquer impacto inestético ou de falta de enquadramento na pior situação. A casa é composta por um só piso habitacional, rés-do-chão, propondo-se a criação de dois volumes térreos desalinhados e uma Garagem na Cave, assim como outros espaços de apoio à casa todos com acesso a partir do Arruamento Público, propondo-se inclusive manter as cotas de nível e infa-estruturas existentes.
Em termos conceptuais definiram-se então dois volumes deslocados, com funções distintas, que se interligam através de uma cobertura Plana e Alpendres Exteriores e que albergam as duas partes distintas da casa relacionando-as. Este jogo de volumes é ligado por uma escada interior de acesso à Cave, localizada na zona de entrada e permite ainda o acesso directo ao Espaço Exterior Ajardinado.
A intervenção passou ainda por propor um edifício simples e funcional, respeitando o fim habitacional que se propõe, de forma a poder impor-se sem criar grande impacto volumétrico ou estético, permitindo uma imagem estética simples e agradável totalmente integrada na envolvente, respeitando o programa de trabalho traçado pelos proprietários de idade já respeitável necessitados de um espaço de idênticas características por razões de mobilidade.
O Espaço de Cave/Garagem, garante 2 lugares de estacionamento e arrecadação/arrumos, para os equipamentos de apoio ao lazer e de jardinagem exterior em geral. Todas as zonas circundantes à implantação da casa, restantes espaços de apoio, serão ajardinados com relva, arbustos e árvores de fruto existentes, que permaneceram inalteráveis, permitindo criar privacidade e embelezamento paisagístico natural à intervenção integrando-a na envolvente.
Ao nível da habitação, pretendia-se dar resposta a um programa que exigia duas zonas distintas de ocupação, uma zona social nobre e digna, com espaços amplos e com bastante luz natural, localizada ao nível da entrada e relacionando-se directamente com o espaço exterior adjacente, quer fisicamente quer visualmente, e uma zona privada correspondente a dois quartos com vestiário, e espaço de apoio e arrumações interiores a localizar no corredor de acesso a estes.
Nesta intervenção foi opção não alterar significativamente a morfologia e características do terreno, permitindo manter a identidade própria deste mesmo, garantindo a relação directa entre o espaço da moradia e o espaço exterior ajardinado já justificado no logradouro. Em termos de linguagem arquitectónica transparece para o exterior a preocupação de uma intervenção simples, mas nobre e funcional, em que os valores do projecto e da arquitectura tentam respeitar de certa forma o tipo de materiais e características de construção da região e se possível melhorar a imagem estética existente na envolvente, permitindo sempre a máxima qualidade de habitabilidade aos seus utilizadores.